há um tempo atrás eu ainda tentava acreditar que tudo durava para sempre
que as brincadeiras do colégio poderiam se repetir centenas de vezes com o passar dos anos
que a falta de preocupação seria a realidade do futuro
que cair e ralar o joelho seria a minha maior dor
que os amigos que eu encontrava todas as manhãs na escola, seriam meus maiores aliados
que os desenhos que eu assistia na TV continuariam sendo meu maior interesse
que por mais que o tempo passasse, crescer seria o menor dor meus problemas
mas percebi que não
percebi que não há mais tempo pra brincar de Power Rangers na hora do recreio
percebi que o futuro é um acumulo de preocupações
percebi que sempre pode haver dor maior
percebi que os amigos vão embora (eles crescem também)
percebi que desenho animado não é mais tão colorido nem tão animado assim
percebi que problemas eu tenho de monte
com o tempo a gente vai se acostumando, tudo vai ficando meio normal
a seriedade e a rotina não te encomodam mais
equilibrar dor e prazer se torna aprendizado diário
pessoas entram e saem da sua vida todos os dias. pra muitas você nem dá importancia
~ ou dá.
a falta de tempo pras coisas simples da vida não prende sua atenção
e mesmo assim, mesmo sendo essa sua realidade, o mais dificil é entender e aceitar tudo isso
ver o tempo passar, mesmo que aproveitando esse tempo, não é simples... não é fácil
trocar a felicidade de antes pela felicidade que talvez venha dá medo
e dá mais medo ainda trocar a tristeza de antes pela que pode estar chegando. ela pode ser maior
como lidar com essa situação toda? como reagir ao tempo? como envelhecer?
deixa o tempo passar, deixa a água rolar... o sol ainda vai aparecer amanhã. não vai?
a gente se acostuma. e isso as vezes é o pior
se não se acostumasse talvez o ânimo pra fazer acontecer fosse maior e os planos de criança ainda pudessem se tornar realidade.
~ ou não
o que nos resta é deixar ser. e ser... seja isso como for
30 de mai. de 2011
27 de mai. de 2011
o que você vai fazer da tua vida? - perguntou ela.
acordei decidido a seguir em frente.
não vou pisar mais nos mesmos cacos de vidro.
não me deixar levar pela mesma correnteza que antes me jogava contra a rocha.
eu vou tentar. vou lutar. vou arriscar.
acordei sabendo que em breve a lua vai brilhar em outro horizonte.
entendi que o que é agora, logo não será mais.
percebi que o tempo tá correndo contra mim. mesmo que ele seja longo.
resolvi que não vou me deixar parar.
não vou desistir. não vou voltar atrás. não vou chorar.
~ dessa vez não.
acordei decidido a não dar ouvidos.
e não adianta pular em minhas costas me falando pra ficar.
e não adianta sentar ao meu lado me pedindo pra não fazer.
e não adianta olhar em meus olhos dizendo que a minha ideia não a melhor dessa vez. vou descobrir. sozinho...
acordei com aquele aperto no peito de quem tomou uma decisão. e eu tomei.
senti aquele vazio por dentro de quem vai deixar coisas pra trás.
respirei a falta de ar de quem tem medo. e eu tenho.
e a solidão?
queria não ter acordado pra esse dia. queria não acordar pra tal realidade. queria não acordar.
queria não ter ido dormir na noite em que tudo fugiu ao meu controle.
queria saber que as coisas vão dar certo no final.
queria pular etapas, esquecer equívocos, correr menos riscos... errar e acertar menos e mais, respectivamente.
viver. deitar. dormir. sonhar. e acordar como se nada fosse...
não vou pisar mais nos mesmos cacos de vidro.
não me deixar levar pela mesma correnteza que antes me jogava contra a rocha.
eu vou tentar. vou lutar. vou arriscar.
acordei sabendo que em breve a lua vai brilhar em outro horizonte.
entendi que o que é agora, logo não será mais.
percebi que o tempo tá correndo contra mim. mesmo que ele seja longo.
resolvi que não vou me deixar parar.
não vou desistir. não vou voltar atrás. não vou chorar.
~ dessa vez não.
acordei decidido a não dar ouvidos.
e não adianta pular em minhas costas me falando pra ficar.
e não adianta sentar ao meu lado me pedindo pra não fazer.
e não adianta olhar em meus olhos dizendo que a minha ideia não a melhor dessa vez. vou descobrir. sozinho...
acordei com aquele aperto no peito de quem tomou uma decisão. e eu tomei.
senti aquele vazio por dentro de quem vai deixar coisas pra trás.
respirei a falta de ar de quem tem medo. e eu tenho.
e a solidão?
queria não ter acordado pra esse dia. queria não acordar pra tal realidade. queria não acordar.
queria não ter ido dormir na noite em que tudo fugiu ao meu controle.
queria saber que as coisas vão dar certo no final.
queria pular etapas, esquecer equívocos, correr menos riscos... errar e acertar menos e mais, respectivamente.
viver. deitar. dormir. sonhar. e acordar como se nada fosse...
26 de mai. de 2011
dos dois lados
colocar o pé na calçada sempre foi perigoso. sempre tive medo.
ao abrir a porta já sentia o vento tocar minha face e o grito quase alto entalava na garganta.
tive medo.
a vontade de entrar em casa e sentar na sala sempre foi maior. segurança.
estar onde agora eu estou parecia ser a melhor opção. sempre pareceu.
enfrentar as paredes de concreto e o asfalto por onde muitos passavam não me trazia muito entusiasmo.
e onde isso mudou? em que momento a situação se inverteu?
correr os ricos e enfrentar a chuva agora é a primeira opção.
tocar o chão negro da rua e abraçar as nuvens da cidade, pra mim, é muita mais divertido.
cresci? o que mudou?
mudou aqui dentro ou mudou lá fora?
penso mais que mil vezes se realmente quero voar. penso o dobro de vezes se vale a pena não enfrentar.
o desejo do novo que hoje aperta meu peito está sufocando o sentimento que outro dia me dizia pra continuar, assim...
não posso mais manter a calma diante daquilo que se já me fez bem, não lembro.
paredes agora brancas que não me trazem paz.
e o engarrafamento me tranquiliza. certo assim?
tenho a certeza de que se ficar a felicidade não vem. mas sei que se sair ninguém vai notar, e eu, ainda assim, vou correr muito.
é dúvida que me atordoa. não sei falar. não pergunto... não respondem.
e pra onde ir? pra onde correr?
me tirar desse poço ninguém vem... me jogar mais pra baixo, ninguém vai.
é solitário aqui embaixo.
ao abrir a porta já sentia o vento tocar minha face e o grito quase alto entalava na garganta.
tive medo.
a vontade de entrar em casa e sentar na sala sempre foi maior. segurança.
estar onde agora eu estou parecia ser a melhor opção. sempre pareceu.
enfrentar as paredes de concreto e o asfalto por onde muitos passavam não me trazia muito entusiasmo.
e onde isso mudou? em que momento a situação se inverteu?
correr os ricos e enfrentar a chuva agora é a primeira opção.
tocar o chão negro da rua e abraçar as nuvens da cidade, pra mim, é muita mais divertido.
cresci? o que mudou?
mudou aqui dentro ou mudou lá fora?
penso mais que mil vezes se realmente quero voar. penso o dobro de vezes se vale a pena não enfrentar.
o desejo do novo que hoje aperta meu peito está sufocando o sentimento que outro dia me dizia pra continuar, assim...
não posso mais manter a calma diante daquilo que se já me fez bem, não lembro.
paredes agora brancas que não me trazem paz.
e o engarrafamento me tranquiliza. certo assim?
tenho a certeza de que se ficar a felicidade não vem. mas sei que se sair ninguém vai notar, e eu, ainda assim, vou correr muito.
é dúvida que me atordoa. não sei falar. não pergunto... não respondem.
e pra onde ir? pra onde correr?
me tirar desse poço ninguém vem... me jogar mais pra baixo, ninguém vai.
é solitário aqui embaixo.
25 de mai. de 2011
tudo verdade
eu parava pra pensar e não ouvia. não ouvia meus pensamentos.
minha voz presa dentro de mim mesmo não me dizia coisa alguma.
eu tentava me dizer pra seguir em frente, tentava me convencer a ser forte.
~ mas não.
eu não seguia em diante. eu ficava preso naquele mesmo lugar.
no lugar que um dia havia sido meu chão de alegria.
eu precisava continuar caminhando. o futuro estava lá.
mas eu não sabia dar o próximo passo.
eu não podia me convencer.
então eu gritei.
e ninguém me ouviu. e eu gritei de novo.
e ninguém me respondeu.
eu tentei ser melhor do que isso. tentei convencer os outros de que sou melhor.
mas eu não me convencia de que eu era.
~ eu.
eu nem sabia quem era. como poderia saber onde ia chegar?
não há como ouvir meus pensamentos se nem mesmo sei de onde ele vem.
não sei onde estão, não sei como são, não sei
não me conheço. me perco no que agora eu sou. se sou...
pensei eu mesmo em ser outro. pensei eu mesmo em ser e fazer diferente.
mas não dá. não tem como. vocês me conhecem.
e eu grito. e calo. e falo. e ouça. e não faço. pra onde?
certa vez disse pra mim mesmo que sorrir era o melhor remédio.
e assim eu continuo... mentindo pra mim mesmo!
minha voz presa dentro de mim mesmo não me dizia coisa alguma.
eu tentava me dizer pra seguir em frente, tentava me convencer a ser forte.
~ mas não.
eu não seguia em diante. eu ficava preso naquele mesmo lugar.
no lugar que um dia havia sido meu chão de alegria.
eu precisava continuar caminhando. o futuro estava lá.
mas eu não sabia dar o próximo passo.
eu não podia me convencer.
então eu gritei.
e ninguém me ouviu. e eu gritei de novo.
e ninguém me respondeu.
eu tentei ser melhor do que isso. tentei convencer os outros de que sou melhor.
mas eu não me convencia de que eu era.
~ eu.
eu nem sabia quem era. como poderia saber onde ia chegar?
não há como ouvir meus pensamentos se nem mesmo sei de onde ele vem.
não sei onde estão, não sei como são, não sei
não me conheço. me perco no que agora eu sou. se sou...
pensei eu mesmo em ser outro. pensei eu mesmo em ser e fazer diferente.
mas não dá. não tem como. vocês me conhecem.
e eu grito. e calo. e falo. e ouça. e não faço. pra onde?
certa vez disse pra mim mesmo que sorrir era o melhor remédio.
e assim eu continuo... mentindo pra mim mesmo!
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