15 de ago. de 2013

Sorriso de Palhaço



De toda a dor do mundo, aquela era a que mais doía.
Num mundo de cores e formas, ele era preto no branco e comumente reto.
Tinha peso sobre os ombros e lhe faltava agilidade.
O brilho dos olhos ficou para trás no apagar das luzes.
E o sorriso que um dia reluziu... Não reluzia mais.

De toda a dor do mundo, aquela era a que mais doía.
De nariz de palhaço e tudo, já não se sentia mais parte da trupe.
O circo era puro show em um mundo de festas rotativas.
Ele já não era.
Entre trapézios, balões e contorcionismos, se tornou performance gasta.

De toda a dor do mundo, aquela era a que mais doía.
Tinha altura e força de campeão, mas perdia na corrida de anões.
Conhecia todas as canções, mas sua voz perdia o tom.
O abraço da bailarina agora era frio e tão distante que não se via, não se sentia.
E de sua caixinha de música, nota nenhuma se podia ouvir.

De toda a dor do mundo, aquela era a que mais doía.
O palhaço que de verso em verso sacava dos bolsos um ramalhete de gargalhadas,
Agora não juntava truques suficientes para conquistar o riso.
E do sorriso contagiante, daquele que o segurava na caminhada, não se via mais a cor.
De toda a dor do mundo, a falta do sorriso era a que mais doía.

29 de jul. de 2013

e o meu reino que de meu só tem a mim.

e tão rainha de mim, me deixei ir. e ser.
sorrir.

e tão rainha de mim fui além dos passos que havia dado outrora.
fui além da cerca, além dos muros, além do pasto que de tão verde coloria em planta minha alma.

e tão rainha de mim me coloquei adiante do que sabia existir.
me coloquei adiante de mim.
me coloquei em posição de ataque. e defesa.
estava cheia. estava pronta!

e tão rainha de mim decidi que não parava ali.
que não chegava tão cedo o fim do caminhar.
que longo era. e foi. e era!

e tão rainha de mim entendia que podia ser mais forte do que fui.
entendia que poderia ser muito mais do que fui.
entendia que sabia muito menos do que poderia descobrir.

e tão rainha de mim sentia a falta que o ainda não descoberto me fazia.
desconhecia o que embaixo de mim vivia.
não enxergava aquilo que tão perto (e quieto) de mim se aproximava.

e tão rainha passei a sentir mais. sentir melhor. sentir e só.
e de tão rainha que era me fiz lembrar do que ouvia, do que sabia.
que as palavras que naquele dia me disseste mais fortes eram agora.

sou rainha da vida que me deu. que me entregou. que me presenteou.
perder não é o fim. descobri agora.
descobri enfim.

e hoje, se sou rainha de mim, é porque no meu castelo, quem constrói e mantém o exercito alerta,
ou quem alimenta os criados, sou eu.
porque no meu castelo quem planta e colhe, quem diz que sim ou que não, sou eu.
porque no meu castelo, que por um dia ou mais foi tudo menos meu, quem reina sou eu.
e no meu trono, na minha cama, no travesseiro do meu coração, quem dita a regra, sou eu.

até.

12 de mai. de 2013

outra carta para Maria

Eu comecei e recomecei esse texto algumas vezes. Não por não saber o que falar, mas por não querer falar demais. Textos muito longos cansam.
Mas eu não poderia deixar passar em branco um dia como hoje.

Há 29 anos atrás mais uma mulher entrou para o time das melhores mulheres do mundo. Começou a lutar não mais somente por si, mas por aqueles que ela chamaria a partir de então de filhos. Essa mulher cuidou, educou, amou, lutou, sofreu, correu, riu, brincou, trabalhou, brigou, chorou, orou, torceu, levou, vestiu, comprou, fez... e fez muito. Por 29 anos essa mulher tem sido exemplo.

Por 22 anos essa mulher tem sido minha mãe, minha guardiã, minha protetora, minha defensora... minha professora.
Por muitas vezes essa mulher não foi a melhor mãe do mundo. Por muitas vezes essa mulher não foi a mãe que eu queria ter. Por muitas vezes essa mulher não foi o exemplo que eu queria seguir.
Mas hoje, essa mulher era tudo que eu queria ter ao meu lado.

Mãe, eu sei que não é fácil lidar com a distância, com a saudade, com a falta. Pra mim também não é. Eu sei que se dependese da senhora, a Leticia e eu ainda estariamos dentro de casa, debaixo dos teus olhos, seguindo suas lições... mas a vida não é tão simples assim. Infelizmente. (Ou não)
Mãe, eu só quero que a senhora saiba que hoje, agora que estou longe, eu enxergo muito mais de você em mim. Hoje eu vejo quanta influência teus exemplos exercem na minha vida. A tua força que por muitos anos carregou nossa família agora cresce sozinha e ainda pequena dentro de mim. A minha vontade era poder estar aí, junto de vocês, junto da senhora, te dar um beijo, te dizer que te amo e matar a saudade que já se acumula há quase 3 meses. Mas calma, não vai demorar, logo menos estou chegando.

Mãe, eu quero que todas as lágrimas que a senhora derramar de agora em diante (a senhora deve estar chorando agora, rs) sejam de puro orgulho, mas não por mim ou pela Letícia, por você. Pela mulher que a senhora é. Pelo exemplo de força, compromisso e dedição que está estampado em seu rosto. Quero que se orgulhe por ter crescido, vivido e feito tudo que fez. Quero que se orgulhe pelo marido que tem, pela filha que tem, pela neta, pelo genro... quero que se orgulhe pelos amigos e por todos aqueles que se orgulham de saber que podem sempre contar com você. Quero que se orgulhe pelo tropeços, pelas dificuldades, pelas tristezas, decepções, dores e por tudo que te fizeram ser a mulher que você é.

E mãe, por mim, eu quero que você sorria, sorria sempre. Os passos que hoje eu estou dando foram construídos há anos atrás quando você começou a moldar o meu caráter. A força que tenho hoje pra prosseguir enfrentando qualquer dificuldade é espelho da força que você teve durante todos esses anos.

Eu não queria escrever muito mas já estou prolongando demais.
Mãe, hoje, no dia das mães, saiba que eu, a Letícia, a Alícia e muitas outras pessoas que eu sei que te amam querem ver essa mulher de ferro, dura na queda e praticamente inabalável, simplesmete feliz!

Muitas felicidades hoje, amanhã e sempre. Que todos os dias de sua vida sejam regados por bençãos e mais bençãos. Que o Pai que todo esse tempo tem te mantido em pé, te acompanhe pelo resto dos teus dias na Terra e que te faça cada mais firme, forte e vencedora.

Parabéns!
Te amo.

31 de dez. de 2012

Meça a vida em Amor

"How do you measure a year in the life?"
Como? Como medir 2012? Tanta coisa aconteceu pra caber em uma medida, um cálculo.

Eu posso contar apenas nos dias vividos, 365. Até hoje.
Nas noites em claro. Nos dias bem corridos. Esse foi o ano do trabalho duro. Suei, me dediquei, me deixei ser parte daquilo que agora vem ser parte de mim.

Posso contar nos momentos difíceis, que não foram poucos. Nos dias de saudades. Nas vezes que quase me arrepeendi de ter deixado minha casa. Ou nos inúmeros momentos que tive certeza de que Curitiba tem me recebido e me feito muito bem.

Posso contar nos dias de aula, dias de trabalho, dias de folga aproveitados fazendo trabalhos e mais trabalhos. Nos elogios e críticas recebidos... nos vários elogios e críticas. E também nos dias e dias em que ficava claro que estou no caminho certo.
Nos pequenos arrependimentos. E nos grandes também. Posso contar nos muitos erros cometidos. E nas vezes que voltei atrás, pedi perdão, me redimi.

Posso contar esse ano em todas as palavras ditas, em todos os pensamentos, em todas as vezes que olhei pra dentro e repensei, em mim. A autoanálise foi feita repetidas vezes.

Posso contar em pessoas. Nas pessoas que conheci. Nas pessoas que deixei pra trás. Naquelas que senti e sinto saudade, ou nas que preenchem meus dias. Nas pessoas que me fizeram ver o amor, me fizeram sentir. O amor, seja ele qual for. Conto nas vezes que agradeci a existência destes que tanto me fizeram bem em 2012. Destes que souberam como me fazer um alguém melhor, mais rico e feliz.

Posso contar contar em brigas, discussões, desentendimentos... É, foram vários também. Mas posso contar em risadas. Como me diverti esse ano. Muito!

Posso contar nas noites em que me peguei pensando e repensando neles. Meus pais. No sentido de ser pai. Na dor e na delícia que é. No amor e na saudade que se sente quando um filho vai embora. No quão difícil e estranho pode ser. Obrigado meus pais, 2012 se deve em grande parte a vocês.

Posso contar este que se encerra de muitas formas. Diferentes, porém complementares. Não sei dizer ao certo à que esse ano se resume, mas sei dizer que muito se tornou grande e completo ao longo desses 12 meses.

Pra não me estender ainda mais me atento apenas a dizer: Obrigado!
Sim, este foi foi um ano pra se agradecer.

Muito Obrigado!

12 de dez. de 2012

um ponto. depois do ponto

um ponto.

me limito a dizer aquilo que devo. se devo.
me limito a usar apenas os caracteres que completam a frase que precisa ser colocada. em frase.
se precisa.
muitas das vezes que escrevo, não digo, mas escrevo, estou falando aquilo que penso. apenas.
se sinto? eu sinto. sinto!

meus sentimentos não se permitem transmitir em todas as palavras.
um dicionário não compreende os desvaneios do meu coração. da mente.
da minha mente.

um ponto.

eu me confundo entre As e Zs. Acrescento Ps e Bs. Pulo um sistema inteiro de Ms e Ns apenas pra dizer que não sei. Mas sei. sim. sei!
faz sentido? faz pra você?

sei que não. o que sinto me pertence. não divido. se divido.
e quando divido. eu caio.
'
'
'
'
'
e caio.

um ponto.

recomeço de onde parei. retomo ideias e formas de dizer. não digo.
eu me limito a dizer apenas o que deve ser dito. se deve.
não sei se esse acúmulo de letras entrega de forma clara o que estou tentando.
tentando expressar.

eu já comecei e terminei. comecei e terminei a mesma frase. a mesma frase inúmeras vezes.
pressionei as mesmas teclas uma e outra vez. uma e outra vez repetidas vezes.
uma e outra vez. formas diferentes de colocar a mesma coisa no mesmo lugar.
repetidas vezes.

um ponto.

um ponto, pois agora me limito. me limito a dizer apenas o que deve ser dito.
e o que deve ser dito, eu digo.
o resto. eu guardo. e digo, se precisar dizer.
as demais informações, você já conhece, e eu me satisfaço com isso.

outro ponto.

6 de jan. de 2012

ei você, me responde uma coisa

ei que você que fala mal dos outros: o que você sabe da vida deles?

- você que fala mal dos ricos: o que você sabe sobre a história de vida deles? você conhece todos eles? todos os ricos?
- você que fala mal das loiras: o que você sabe de ser loira? as piadas que ouviu? você conhece todas a loiras da terra? nem todas escolhem ser assim ;)
- você que fala mal dos gays: com quantos você conviveu? quantos você conhece, de verdade? com quantos você convive diariamente?
- você que fala mal dos evangélicos: em quantas igrejas você foi? em quantos crentes você já confiou? quantas vezes você já leu a bíblia?
- você que fala mal dos ateus: com quantos você já conversou? o que você entende sobre isso?
- você que fala mal dos vegetarianos: você entende, de verdade, qual é a causa deles? você entende, a fundo, como funciona o vegetarianismo?
- você que fala mal do BBB: você nunca assistiu? quem te disse que tudo que você gosta é realmente legal?
- você que fala mal do Justin Bieber: porque motivo eu devo concordar que o teu gosto musical é melhor? porque o rock tem que ser unânime?
- você que fala mal de Glee: Grey's Anatomy é chato, sabia? porque o outro não tem o direito de gostar? musical também pode ser legal, não?
- você que fala mal do Luan Santana: ser diferente não legal, né? ser sertanejo e não parecer com o Xororó é errado, né? "ele não canta bem", será mesmo?
- você que fala mal das prostitutas: você sabe porque ela trabalha assim? você tem certeza que todas escolheram ser o que são?
- você que fala mal dos teus pais: você já parou pra ver o que eles tem feito? por quais situações eles tem passado? pelo que eles já fizeram por você?
- você que vai falar mal de mim porque eu to aqui jogando coisas na sua cara: se liga vai! eu sou tão hipócrita quanto você. mas eu pelo menos coloco a mão na consciência uma vez ou outra. eu pelo menos não estou julgando o fato de você ser diferente de mim...

esses dias eu escrevi algo por aí "pregando" o respeito.
e continuo com isso em mente. eu vivo isso.
eu acho errado pregar 'aceitação', 'compreensão'... me respeite, seja eu como for!

pra me julgar você tem que sentar ao meu lado e ouvir todas as minhas histórias, todos os meus desabafos. tem que limpar todas as minhas lagrimas. você tem que me ouvir reclamar de todos os meu problemas.
pra me dizer que eu andei errado você tem que saber de todos os lugares que eu fui.
pra me dizer quais são os meus defeitos você precisa conhecer todas as minhas qualidades.
pra dizer que eu não sou uma boa pessoa, você tem a obrigação de conhecer o meu coração o tanto que eu mesmo conheço. ou melhor!!

pra dizer qualquer coisa pra qualquer pessoa sobre qualquer que seja o assunto você tem que saber do que você está falando, caso contrário fique quieto. será melhor!
antes de pensar no outro, se olhe no espelho.

23 de dez. de 2011

unknown (ou) a clássica arte de ser clichê

AMAR: o verbo é bem simples.
conjugá-lo então, quem nunca?

é fácil virar pro lado, olhar pra pessoa mais próxima e soltar um 'eu te amo'
bem sem compromisso
todos dizem. todos dizem sentir. todos se julgam amando.
mas... será?!

você já parou pra pensar no que realmente é amar?
como funciona esse sentimento?
é abstrato ou concreto?
de onde vem?
por quem que vem?
é tudo igual?

é egoísta! sempre é...
o amor é egoísta. e você não pode se dizer diferente.
quem não gosta de se sentir amado? cuidado? protegido?
preso!

pra quem ama é dor. constante!
aquele medo de entregar um sentimento que não há como saber se será correspondido.
e se for, será igual? da mesma forma? na mesma proporção?
expectativa!

pra quem é amado é bem mais fácil
não há obrigação de retribuir.
ou não deveria haver.....
é aí que nasce o egoísmo!

quando você ama você quer de todas as maneiras que te amem também. que te entreguem aquilo que você está entregando. que retribuam da mesma forma. que te paguem com a mesma moeda.
quando você é amado quer guardar esse amor todo pra você. não quer dividir. não divide com os outros, e muitas vezes, nem mesmo com aquele que te ama.

qual seria a regra do amor?
seria como conjugar o verbo em todas as pessoas? para todas as pessoas? em todos os tempos verbais?

e Deus disse: 'ame ao teu próximo como a ti mesmo!' - como que funciona isso de amar e se amar da mesma forma? me ensina Você!
as pessoas já nascem pré-programadas pro amor. e por consequência já trazem junto uma pré-programação pra dor! mas e o manual? como instala? como inicia esse jogo do amor?

seria o teu amor melhor que o meu? seria o meu jeito de amar mais correto que o teu?
será que quem eu amo merece mais amor do que quem você ama?
será que o que eu julgo ser amor é mais amor do que aquele que você diz sentir?
será que eu amo tanto quanto você?
~saberia você o que é o amor?

não cabe a mim te dizer como fazer, como agir, como amar e ser amado.
cada um tem sua maneira. seu tempero. sua preferência...
quem é você pra me dizer que estou errado?
se até hoje ninguém foi capaz de criar a tal cartilha do amor, o livro de instruções pra iniciantes na arte marcial do amor, quem sou eu pra dizer que você está errado?
até onde se sabe, ninguém escolhe quem vai amar. ninguém manda no coração
a gente aceita. ama. sofre. chora.
se derrama.
cai.
levanta. segue em frente. ama de novo. e repete o ciclo!

seja homem. mulher. alto. baixo. bonito ou feio.
você vai amar quem for pra amar e não há que possa te dizer que isso não tá certo. não se julga o amor
não se corrige.

se deixa ser. se permite.
se ama.

e ama!