26 de mai. de 2011

dos dois lados

colocar o pé na calçada sempre foi perigoso. sempre tive medo.
ao abrir a porta já sentia o vento tocar minha face e o grito quase alto entalava na garganta.
tive medo.
a vontade de entrar em casa e sentar na sala sempre foi maior. segurança.
estar onde agora eu estou parecia ser a melhor opção. sempre pareceu.
enfrentar as paredes de concreto e o asfalto por onde muitos passavam não me trazia muito entusiasmo.

e onde isso mudou? em que momento a situação se inverteu?

correr os ricos e enfrentar a chuva agora é a primeira opção.
tocar o chão negro da rua e abraçar as nuvens da cidade, pra mim, é muita mais divertido.
cresci? o que mudou?
mudou aqui dentro ou mudou lá fora?
penso mais que mil vezes se realmente quero voar. penso o dobro de vezes se vale a pena não enfrentar.
o desejo do novo que hoje aperta meu peito está sufocando o sentimento que outro dia me dizia pra continuar, assim...
não posso mais manter a calma diante daquilo que se já me fez bem, não lembro.
paredes agora brancas que não me trazem paz.
e o engarrafamento me tranquiliza. certo assim?

tenho a certeza de que se ficar a felicidade não vem. mas sei que se sair ninguém vai notar, e eu, ainda assim, vou correr muito.
é dúvida que me atordoa. não sei falar. não pergunto... não respondem.
e pra onde ir? pra onde correr?

me tirar desse poço ninguém vem... me jogar mais pra baixo, ninguém vai.
é solitário aqui embaixo.

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