5 de ago. de 2011

uma carta para Maria

eu te dei um zilhão de chances pra poder me conhecer
eu estive por perto todo esse tempo pra que você pudesse olhar de verdade pra mim
eu errei tantas e tantas vezes só pra que você pudesse me ajudar
eu tropecei e caí em infinitas situações
eu tava aqui o tempo todo...

mas... você estava?

dizer que sempre esteve lá; que fez tudo que podia; que sempre quis acertar... isso é fácil. muito fácil eu diria
todo dizem... todos querem acertar.

difícil mesmo é parar e observar.
por quantos dias eu não esperei você pra parar e me olhar?
eu só queria que você sentasse do meu lado no sofá da sala, assistisse a novela comigo e me perguntasse como tinha sido o meu dia... e só me ouvisse
queria que você tivesse me visto jogar
queria que você tivesse me visto receber aplausos
queria que você tivesse me visto sorrir
queria que você tivesse me olhado (mais)
e tudo isso pelo simples fato de olhar pra mim. de perceber que eu sempre quis estar aqui
queria que você tivesse sentido a vontade que eu tenho de dar e receber um abraço. de dizer e ouvir 'eu te amo'

você secou minhas lágrimas
me congelou
é tão mais difícil agora. apesar de tudo
eu te amo, sabia?
sempre amei
mas e aí? e agora?

eu sinto esse peso sobre mim
sei que errei, e muito! mesmo
não nego. não finjo ser quem não sou e nunca fui
sou um desastre. não sou quem você esperava
não sou nem mesmo quem eu esperava...
mas eu aceitava um apoio sem reclamar, te garanto

são tantas palavras sem destino
tantos pensamentos cruzados
não sei mais colocar um sentimento em linha reta
me perco só de tentar
não sei te dizer o que é? como é? como vai ser? o que quero?
então, pare de me perguntar
não insista em lutar por uma guerra que já parece ter acabado

e não, nenhum de nós venceu essa!

eu poderia muito bem correr agora em direção ao teu quarto
acender a luz, te acordar e dizer que foi tudo uma brincadeira, que nada disso aconteceu, que não passamos por tudo que passamos;
que por mais dolorido que tenha sido é tudo imaginação, e a gente já pode seguir em frente como se a vida começasse hoje..

mas sabemos que não é assim
e o que me cabe fazer numa situação como essa é não olhar em sua direção,
fingir um arrependimento,
me despedir
e sair............



com amor,
teu filho.

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